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Taking Woodstock

Posted by lothlorien on 9:06
Durante este hiato fui várias vezes ao cinema, mas nenhum dos filmes me incitou a escrever. Fui até ver aquele que Brad Pitt designou o melhor filme de sempre sobre a Segunda Guerra Mundial, e que depois de Inglorious Basterds já não vale a pena fazer mais nenhum filme sobre o tema, declaração que revelou uma faceta pretensiosa de Brad Pitt, até à data desconhecida. Ontem, no entanto, voltei a sentir vontade de escrever aqui. O filme é Taking Woodstock de Ang Lee.

Ang Lee é dos poucos realizadores a conseguir a proeza de ainda não me ter desiludido. Daí que quando me sugeriram o filme, mesmo não sabendo absolutamente nada sobre o enredo (excepto o óbvio facto de abordar o festival de Woodstock), entrei feliz e contente na sala de cinema.

Muito rapidamente, esta é a história de um jovem que tenta fazer algo da vida, como tantos outros, tentando também ajudar os pais e contribuindo de alguma forma para a comunidade em que vive, de preferência sob a forma de arte ou pseudo-arte. Mas eis que são os 60s, pelo que a normalidade é estranha. Elliot tenta oferecer algo de diferente à pequena localidade de White Lake, levando para lá o festival de Woodstock. Pelo meio, tem de lidar com hippies tão dedicados à paz quanto às drogas e com os disfuncionais e reprimidos pais.

Como todos os filmes de Ang Lee, Taking Woodstock prima pela subtileza e simplicidade. Esquece-se o mero retrato do mítico festival para se focar na história por detrás, nas vidas que mudaram. As drogas aqui são ambíguas, deixam de ser o papão e surgem como uma ferramenta para obter uma nova perspectiva. Não é um filme imediato, nem tão-pouco um filme brilhante, mas é um filme que marca e que, não o sendo propositadamente, acaba por ser um feel good movie.

As interpretações são consistentes. O elenco é tão vasto que se torna difícil destacar só alguns. A não ser que falemos de Imelda Staunton. A actriz interpreta a mãe de Elliot, uma imigrante russa obcecada com a perseguição aos judeus e consideravelmente gananciosa. E está brilhante!

Este é um filme muito pouco high profile, que tem até passado bastante despercebido, mas que vale muito a pena. Se tiverem a oportunidade, vão ver. Não me parece que fique muito tempo nos cinemas, será talvez um filme pouco comercial, sem o factor curiosidade-de-ver-dois-actores-a-beijar-se que tinha Brokeback Mountain. Aqui fica o trailer



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Posted by lothlorien on 9:51


E é disto que me lembro...

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Biutiful

Posted by lothlorien on 11:14
É o novo filme de Alejandro González Iñárritu, resultado de uma co-produção entre o México e Espanha. Apesar do título apelar de forma algo humorística à característica muito espanhola de adaptar a grafia de palavras estrangeiras à língua espanhola, não se adivinha uma película leve, devendo manter o estilo a que Iñárritu já nos habituou.
Não há muita informação sobre o elenco, mas o protagonista Javier Bardem demonstra cabeça fria e um excelente planeamento da carreira não se deixando seduzir pelas grandes produções hollywoodescas que com certeza lhe foram parar às mãos no período pós-Oscar (partindo do princípio que o projecto de Oliver Stone em que participará vale a pena; quanto à adaptação de Comer, orar, amar, optei por ignorá-la). Conta também com a participação de Blanca Portillo, que já todos conhecemos de Volver.
Data de estreia, só lá para Dezembro. Até lá, temos os blockbusters de Verão.

4

Rudo y Cursi

Posted by lothlorien on 5:38
Vou ser honesta: não sei absolutamente nada sobre este filme. Chamou-me a atenção apenas porque 'cursi' significa piroso, foleiro e algo lamechas. Só por isso. Sim, porque a parte de alguém ser 'rudo' já não surpreende.



Até perceber que Gael García Bernal e Diego Luna são a dupla de protagonistas. Pelo menos, já cativei o público feminino. Por outro lado, é realizado por Carlos Cuarón. Se estão a pensar que este nome não vos é estranho, têm razão. Carlos é irmão do mais famoso Cuarón, Alfonso. Claro que pode ser alegado que ser irmão de Alfonso Cuarón não traz nada de significativo, excepto, talvez, uma ligeira desconfiança de que estamos perante um caso de nepotismo. Contudo, Carlos já colaborava frequentemente com o irmão, nomeadamente na escrita de argumentos - sendo Y tu mamá también o mais conhecido. Uma espécie de irmãos Coen à mexicana.
A história gira em torno de dois irmãos com alguma dificuldade em chegar ao fim do mês, sobretudo considerando a extensa família que têm a cargo. Tudo muda quando passam a jogar futebol profissionalmente, embora não sendo já dois petizes de tenra idade. A partir daí, perceber-se-á o motivo pelo qual Beto (Diego Luna) e Tato (Gael García Bernal) passam a ser conhecidos, respectivamente, como 'rudo' e 'cursi'.
Um fiel leitor sugeriu trailers. Pois bem Franck, vou acatar a tua sugestão porque julgo que neste caso justifica-se.



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RIP

Posted by lothlorien on 5:34
David Carradine


6

Synecdoche, New York

Posted by lothlorien on 17:54
Um belo dia, Charlie Kaufman e Spike Jonze pensaram "vamos fazer mais um filme juntos". Charlie anuiu e acrescentou "a fórmula de sempre: eu escrevo, tu realizas". E assim se perpetuam as parcerias.


Acontece que Spike Jonze envolveu-se demais no projecto que tinha em mãos, Where the wild things are, projecto esse que está em produção desde 2005, e note-se que ainda nem está pronto a estrear. Dadas as circunstâncias, viu-se obrigado a afastar-se da produção de Synecdoche, New York. Charlie Kaufman não tem mais nada, arregaça as mangas e decide realizá-lo ele mesmo.



Synecdoche, New York é um filme complexo. Como o são todas as histórias criadas por Kaufman. Os seus argumentos descrevem geralmente um indíviduo criativo, mas com dificuldade em explorar essa faculdade. Aqui, é Caden Cotard, encenador, que se encontra numa encruzilhada ao montar uma nova peça. Ao longo desse processo, evidenciam-se os profundos problemas emocionais até ali apenas latentes, assim como o desenvolvimento da síndrome de Cotard, contra a qual nem com a sua desligada terapeuta Caden pode contar. Caden Cotard mergulha demasiado fundo na sua obra, acabando por esbater perigosamente os limites entre ilusão e uma realidade que se deteriora a todo o instante.


Charlie Kaufman é um mestre em histórias bizarras com as quais é, contudo, fácil identificarmo-nos. Talvez seja isso que atrai tantos actores da A-list como Philip Seymour Hoffman ou Catherine Keener (que já se espera encontrar nos seus filmes), e outros mais low-key, mas muito populares no cinema independente, caso de Samantha Morton e Jennifer Jason Leigh.


Quanto à data de estreia, é uma incógnita. Estava marcada para hoje, 4 de Junho, mas parece que ainda não é desta. Fico à espera. Para quem esperou meses e meses, mais umas semanas não é nada.

6

Star Trek

Posted by lothlorien on 16:59
Já estreou há umas semanas, mas só há uns dias tive a oportunidade e a vontade de ver "Star Trek" à imagem do século XXI.



Nunca fui uma trekkie. Nunca vi a série. Nem sequer sou capaz de fazer a saudação do "vida longa e prospera" em condições. Daí que o meu interesse inicial pelo filme estivesse próximo de zero. Depois vi uns excertos e a curiosidade surgiu. Lá cedi à pressão dos números do box office e dirigi-me à sala mais próxima.

Gostei. Muito. Não é brilhante, acaba por se resumir a uma sequência de efeitos visuais. Contudo, encaixa tudo na perfeição. Os diálogos são irreverentes e bem humorados, intercalados pela dose certa de seriedade quando a cena o dita. A maior conquista do filme será, possivelmente, o elenco. Mesmo não sendo fã da mítica série, conheço, como muitos, as personagens principais, nem que seja pelos recorrentes spoofs realizados à custa de William Shatner na pele de James T. Kirk. Por muito leiga que seja, posso afirmar com alguma segurança que todos eles, desde Chris Pine até Zöe Saldaña, não esquecendo o magnífico Zachary Quinto, encarnaram irrepreensivelmente a respectiva personagem. Existe todo um ideal à volta de "Star Trek", pelo que recriar estas personagens é particularmente complicado. O elenco foi incumbido da difícil tarefa de não desiludir fãs antigos, sem se colar demasiado às personas criadas pelo elenco original, cabendo-lhe igualmente imprimir alguma frescura a um formato já com algumas décadas. Sem dúvida que o desafio foi superado cum laude.

Confesso que quase me deu vontade de comprar os dvds da série original, fazer jus à minha fama de geek e tornar-me uma trekkie...

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