Um belo dia, Charlie Kaufman e Spike Jonze pensaram "vamos fazer mais um filme juntos". Charlie anuiu e acrescentou "a fórmula de sempre: eu escrevo, tu realizas". E assim se perpetuam as parcerias.
Acontece que Spike Jonze envolveu-se demais no projecto que tinha em mãos, Where the wild things are, projecto esse que está em produção desde 2005, e note-se que ainda nem está pronto a estrear. Dadas as circunstâncias, viu-se obrigado a afastar-se da produção de Synecdoche, New York. Charlie Kaufman não tem mais nada, arregaça as mangas e decide realizá-lo ele mesmo.

Synecdoche, New York é um filme complexo. Como o são todas as histórias criadas por Kaufman. Os seus argumentos descrevem geralmente um indíviduo criativo, mas com dificuldade em explorar essa faculdade. Aqui, é Caden Cotard, encenador, que se encontra numa encruzilhada ao montar uma nova peça. Ao longo desse processo, evidenciam-se os profundos problemas emocionais até ali apenas latentes, assim como o desenvolvimento da síndrome de Cotard, contra a qual nem com a sua desligada terapeuta Caden pode contar. Caden Cotard mergulha demasiado fundo na sua obra, acabando por esbater perigosamente os limites entre ilusão e uma realidade que se deteriora a todo o instante.
Charlie Kaufman é um mestre em histórias bizarras com as quais é, contudo, fácil identificarmo-nos. Talvez seja isso que atrai tantos actores da A-list como Philip Seymour Hoffman ou Catherine Keener (que já se espera encontrar nos seus filmes), e outros mais low-key, mas muito populares no cinema independente, caso de Samantha Morton e Jennifer Jason Leigh.
Quanto à data de estreia, é uma incógnita. Estava marcada para hoje, 4 de Junho, mas parece que ainda não é desta. Fico à espera. Para quem esperou meses e meses, mais umas semanas não é nada.